{"id":202,"date":"2024-08-22T07:04:15","date_gmt":"2024-08-22T10:04:15","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.permanencia.org.br\/?p=202"},"modified":"2024-08-22T07:04:18","modified_gmt":"2024-08-22T10:04:18","slug":"bibliografia-comentada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dev.permanencia.org.br\/?p=202","title":{"rendered":"Bibliografia comentada"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">Como n\u00e3o existem reedi\u00e7\u00f5es dos livros de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o, apresentamos abaixo uma bibliografia comentada. Caso o leitor encontre nos sebos estes livros, poder\u00e1 saber do que se trata. Mas gostaria de sublinhar o fato que o pensamento pol\u00edtico de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o, muito influenciado pela obra do fil\u00f3sofo franc\u00eas Jacques Maritain, at\u00e9 os anos 60, foi corrigido em seu \u00faltimo livro, pelas retrata\u00e7\u00f5es feitas pelo autor na Introdu\u00e7\u00e3o. Assim, ao reler hoje p\u00e1ginas antigas deste mestre da l\u00edngua portuguesa no Brasil, que o leitor se lembre do que Cor\u00e7\u00e3o escreveu no in\u00edcio do seu S\u00e9culo do Nada, que cito agora, para iniciar esta bibliografia:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u00abNestas p\u00e1ginas de introdu\u00e7\u00e3o, tentarei dar ao leitor algumas explica\u00e7\u00f5es pessoais sobre posi\u00e7\u00f5es tomadas, que hoje me obrigam \u00e0s retrata\u00e7\u00f5es e me estimulam \u00e0 busca das causas. O tom ser\u00e1 aqui e ali pessoal, evocativo e afetivo, porque na verdade vou reabrir feridas, ou ferir-me onde me julgava ileso. Deixarei correr a mem\u00f3ria sem preocupa\u00e7\u00e3o de m\u00e9todo e de sistematiza\u00e7\u00e3o, mas depois desse desabafo no ombro imagin\u00e1rio de um leitor imaginariamente amigo, levantarei v\u00f4o para as terras onde todo o drama deste s\u00e9culo se iniciou e se desenrolou, e ent\u00e3o tratarei de esquecer-me de mim e do leitor, para entregar-me de corpo e alma \u00e0 observa\u00e7\u00e3o&nbsp;&nbsp;do registro dos fatos que nos trouxeram&nbsp;&nbsp;t\u00e3o inimagin\u00e1veis calamidades.(&#8230;) Terei de fazer v\u00e1rias retifica\u00e7\u00f5es, v\u00e1rias retrata\u00e7\u00f5es, mas agora acode-me a id\u00e9ia de uma omiss\u00e3o que implica uma s\u00e9rie de recoloca\u00e7\u00f5es e pela qual eu estremeceria de vergonha e tristeza se, no momento de dizer o nunc dimittis, me viesse \u00e0 mente o rel\u00e2mpago do negrume de t\u00e3o espantosa omiss\u00e3o. Qual? A de nunca ter escrito em minha longa vida de escritor, entre tantas p\u00e1ginas de louvor e de admira\u00e7\u00e3o, de entusiasmo e de apologia, estas poucas palavras exigidas pela mais clara verdade e pela mais l\u00edmpida justi\u00e7a; sim, estas poucas palavras que j\u00e1 deviam ter transbordado de meu cora\u00e7\u00e3o agradecido e deslumbrado:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Honra e gl\u00f3ria \u00e0 Espanha cat\u00f3lica de 1936<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Honra e gl\u00f3ria a Dom Jos\u00e9 Moscard\u00f3 Ituarte, defensor do Alcazar, a seu filho Luis Moscard\u00f3, a Queipo de Llano e a Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Primo de Rivera.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Espa\u00f1a libre, Espa\u00f1a bella<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Con roquet\u00e9s y Falanges<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Con el tercio muy valiente&#8230;&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Honra e gl\u00f3ria aos doze bispos m\u00e1rtires e aos quinze mil padres, frades e religiosas &#8220;verdadeiros m\u00e1rtires em todo o sagrado e glorioso significado da palavra&#8221; (Pio XI).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Honra e gl\u00f3ria a todos os que morreram testemunhando com sangre: &#8220;Viva Cristo Rey&#8221;!\u00bb<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">(O S\u00e9culo do Nada, introdu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Pois foi justamente este novo posicionamento de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o que abriu-lhe caminho para compreender a grande crise que come\u00e7ava a se abater sobre a Igreja. A partir da\u00ed, Cor\u00e7\u00e3o torna-se o mais completo pensador que o Brasil j\u00e1 conheceu. Vem refor\u00e7ar esta tese o fato dele ter sido completamente marginalizado, esquecido, enterrado. Fa\u00e7am uma busca nas livrarias e&nbsp;&nbsp;nos sites de antologia da l\u00edngua portuguesa. Uma \u00fanica leve men\u00e7\u00e3o a Li\u00e7\u00f5es de Abismo, e s\u00f3. Esta grande injusti\u00e7a nacional ser\u00e1 aqui em parte reparada, pela modesta homenagem que queremos lhe prestar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">1- A Descoberta do Outro, Agir, 1944. 10\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 2000. Traduzido em ingl\u00eas, espanhol e franc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Numa primeira abordagem, o primeiro livro de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o aparece como uma esp\u00e9cie de autobiografia espiritual. O autor descreve os passos de sua convers\u00e3o, ou se preferirem, de sua volta ao catolicismo. Por\u00e9m, uma leitura mais atenta nos mostra que este livro se situa num plano mais profundo e s\u00e9rio. Depois de descrever diversas situa\u00e7\u00f5es que marcaram seu itiner\u00e1rio em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9, Cor\u00e7\u00e3o analisa, com uma intelig\u00eancia aguda e particular, os meandros da alma na busca da verdade. Mostra ao leitor o quanto vivemos mergulhados em v\u00edcios intelectuais que nos impedem de sermos verdadeiros e objetivos; o quanto somos apegados \u00e0s nossas pr\u00f3prias opini\u00f5es, e o quanto isto nos cega diante da grande realidade que \u00e9 a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo e seu amor por n\u00f3s. O autor procura nos ajudar a harmonizar nossa vida racional para que estejamos aptos a alcan\u00e7ar de Deus a harmonia sobrenatural, divina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">De certa forma este livro estar\u00e1 presente em toda a obra liter\u00e1ria de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 uma esp\u00e9cie de marco inicial, mas j\u00e1 carregado de genialidade liter\u00e1ria e de grande sabedoria espiritual. \u00abQuando este escritor veio \u00e0 tona, \u2013 escreve Josu\u00e9 Montelo em artigo de 1987 \u2013 n\u00e3o precisou aprender o seu of\u00edcio diante do p\u00fablico. J\u00e1 trazia um estilo, um cabedal de id\u00e9ias, uma vis\u00e3o do mundo que de pronto ajustou \u00e0 singularidade de sua prosa muito pessoal. N\u00e3o se parecia com ningu\u00e9m. Era ele mesmo, sem deixar de ajustar-se \u00e0 \u00edndole e \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o da l\u00edngua portuguesa\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A prop\u00f3sito da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, publicada no ano 2000, pela Agir, devo fazer alguns reparos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">&#8211; Tiveram a ousadia de corrigir o texto, n\u00e3o por erros de tipografia, mas no estilo. Ora, Cor\u00e7\u00e3o era considerado um mestre da lingua portuguesa. O autor destas fraudes deve ser, no m\u00ednimo, um g\u00eanio da literatura universal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Na orelha da capa, a biografia e a bibliografia de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o vieram alteradas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">&#8211; Cor\u00e7\u00e3o n\u00e3o nasceu em 1898, e sim em 1896, no dia 17 de dezembro, ou seja, h\u00e1 cento e quatro anos exatamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">&#8211; na lista de jornais onde Cor\u00e7\u00e3o escrevia n\u00e3o aparece O Globo. Curiosa omiss\u00e3o. A mais importante tribuna deste arauto da verdade, tribuna onde escreveu durante dez anos, duas vezes por semana, desaparece como por encanto. Mais de duzentos artigos, muitos deles obras-primas, n\u00e3o pesam, para eles, na obra de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">&#8211; na lista de livros editados, n\u00e3o aparecem os dois \u00faltimos livros, justamente os mais importantes de sua carreira liter\u00e1ria. Se a omiss\u00e3o fosse apenas de &#8220;O S\u00e9culo do Nada&#8221; (1973), poder\u00edamos achar que, sendo uma edi\u00e7\u00e3o da Record, a Agir n\u00e3o quis mencion\u00e1-lo. Mas &#8220;Dois Amores Duas Cidades&#8221; (1967) foi publicado na pr\u00f3pria Agir, e tamb\u00e9m est\u00e1 ausente da lista. Ora, esses dois livros juntos formam talvez a mais importante obra de an\u00e1lise da civiliza\u00e7\u00e3o moderna escrito entre n\u00f3s, digna de grandes fil\u00f3sofos e pensadores estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">N\u00e3o posso deixar de pensar que essas tr\u00eas omiss\u00f5es, abrangendo todas elas a mesma \u00e9poca, ou seja, os dez \u00faltimos anos de vida do pensador, tenham algo de proposital. \u00c9 a \u00e9poca do Cor\u00e7\u00e3o mais l\u00facido, mais combativo, defensor da Tradi\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, defensor da Santa Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Sinto pena deles. Se soubessem avaliar as coisas sem a coa\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias dominantes, saberiam que \u00e9 justamente nesta \u00e9poca que manifestou-se a mais brilhante intelig\u00eancia das nossas letras e da nossa f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">2- Tr\u00eas Alqueires e Uma Vaca, Agir, 1946.&nbsp;&nbsp;6\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1973. Traduzido em espanhol<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u00c9 com certa nostalgia que se l\u00ea este ensaio de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o sobre a obra e o pensamento de Chesterton. De um lado estamos diante de uma an\u00e1lise de alto n\u00edvel sobre o grande escritor ingl\u00eas, feita por um autor que dele herdou&nbsp;&nbsp;todo um posicionamento espiritual. Por outro lado, vemos alguns enganos pr\u00f3prios \u00e0 \u00e9poca, onde Cor\u00e7\u00e3o enaltece as convic\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas de Chesterton. Na verdade, basta uma leitura para descobrir que esta palavra &#8220;democracia&#8221;, no pensamento destes dois autores, nada tem a ver com o que vivemos hoje, com este voc\u00e1bulo que brota espontaneamente da mente deturpada de pol\u00edticos, educadores, padres da novidade e arruaceiros. Para os antigos, democracia era sin\u00f4nimo de vida saud\u00e1vel,&nbsp;&nbsp;de moralidade, da liberdade de educar seus filhos, de andar nas ruas, de pensar. Era, principalmente, oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 escravid\u00e3o socialista. Mais tarde Cor\u00e7\u00e3o descobrir\u00e1 que o que ele chamava de democracia n\u00e3o existia nos pol\u00edticos de qualquer partido que fosse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">3- Li\u00e7\u00f5es de Abismo, Agir, 1950. 13\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Traduzido em ingl\u00eas, italiano, holand\u00eas, polon\u00eas e alem\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Este romance, premiado pela Unesco em 1954, o \u00fanico da carreira de Cor\u00e7\u00e3o, conta a volta \u00e0 f\u00e9 de um professor com leucemia. Nos \u00faltimos meses de vida Jos\u00e9 Maria escreve num di\u00e1rio suas reflex\u00f5es sobre a alma, a verdade, o absoluto e termina reencontrando a vida da gra\u00e7a. O tradutor de Cor\u00e7\u00e3o para o franc\u00eas, Hugues K\u00e9raly, assim definia, numa carta, o que pensava de Li\u00e7\u00f5es de Abismo:&nbsp;&nbsp;\u00abO senhor tem raz\u00e3o. Li e reli. Literariamente, dramaticamente, liricamente, psicologicamente e at\u00e9 espiritualmente, Li\u00e7\u00f5es de Abismo \u00e9 sua obra mais tocante, mais acabada\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">4- As Fronteiras da T\u00e9cnica, Agir, 1954. 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1963<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u00c9 uma reuni\u00e3o de v\u00e1rias confer\u00eancias e aulas, tratando com simplicidade temas profundos e dif\u00edceis: O tecnicismo &#8211; O fazer e o agir &#8211; Pol\u00edtica e t\u00e9cnica &#8211; A t\u00e9cnica de Deus, sua arte e seu amor &#8211; Patriotismo e nacionalismo &#8211; A miss\u00e3o da mulher &#8211; O valor da vida. A riqueza e a arte do portugu\u00eas de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o brilham aqui como nos outros livros. Aqui no site apresentamos boa parte do cap\u00edtulo A Miss\u00e3o da Mulher que termina por um coment\u00e1rio das Bodas de Can\u00e1, surpreendente e profundo. Algumas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, como as comentadas no Tr\u00eas Alqueires e Uma Vaca ser\u00e3o motivo de retrata\u00e7\u00f5es em seu \u00faltimo livro, O S\u00e9culo do Nada. Mas mesmo assim, \u00e9 com muita profundidade e intelig\u00eancia que o autor trata desses assuntos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">5- Dez Anos, Agir, 1956, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1958.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Colet\u00e2nea de artigos publicados nos jornais ao longo de dez anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">6- Claro Escuro, Agir, 1958. 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1963.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ensaio sobre a fam\u00edlia, casamento, div\u00f3rcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">7- Machado de Assis, Agir, 1959. 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1965<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Apresenta\u00e7\u00e3o, coment\u00e1rios e notas sobre os romances de Machado de Assis (1839-1908).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">8- Patriotismo e Nacionalismo, Ed. Presen\u00e7a, 1960<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Artigos e confer\u00eancias sobre pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">9- O Desconcerto do Mundo, Agir, 1965 Leia a carta de Manuel Bandeira, propondo Cor\u00e7\u00e3o para Pr\u00eamio Nobel por este livro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Um livro que nos fala sobre a alma humana, suas capacidades racionais, o pecado original e suas conseq\u00fc\u00eancias, tudo isso e mais ainda atrav\u00e9s da vis\u00e3o dos poetas, romancistas e pintores. Assim \u00e9 constru\u00eddo O Desconcerto do Mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Cor\u00e7\u00e3o parte de uma estrofe de Cam\u00f5es para analisar as raz\u00f5es dos l\u00edricos queixumes. De in\u00edcio exige de si mesmo um questionamento s\u00e9rio e verdadeiro: \u00abN\u00e3o, n\u00e3o pode ser convencional, nem pode deixar de ser verdadeiro esse recado de m\u00e1goa que vem de longe, e que parece ser uma dor do Universo expressa por boca humana; sim, que parece ser uma dor primeira que remonta \u00e0s origens do mundo\u00bb. Em seguida procura no pensamento dos poetas e pensadores o porque dessa afli\u00e7\u00e3o: Chesterton, Pascal, Camus, Hugo. E em todas as religi\u00f5es do mundo, a mesma dor, a mesma confus\u00e3o. A an\u00e1lise do problema do mal continua com o Eclesiastes e o livro de J\u00f3, elevando-se a considera\u00e7\u00f5es de ordem sobrenatural com a teologia das bem-aventuran\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A segunda parte deste grande livro \u00e9 uma an\u00e1lise da obra de Machado de Assis, mostrando alguns aspectos importantes, como a genialidade que vem se somar ao talento, a partir de Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas, o que h\u00e1 de verdadeiro por detr\u00e1s do propalado pessimismo do grande escritor, a presen\u00e7a do s\u00e1bio do Eclesiastes na obra de Machado. Cor\u00e7\u00e3o mostra a grandeza dos personagens de Machado para, em seguida, mostrar outro grande romancista, E\u00e7a de Queir\u00f3s, cujos personagens s\u00e3o pobres, mas que encontra toda sua arte na contempla\u00e7\u00e3o de certas descri\u00e7\u00f5es lentas e aparentemente mon\u00f3tonas. Em suma, uma aula sobre o valor de um romance, seu conte\u00fado mais misterioso e elevado, que ilumina a alma do escritor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Enfim, na terceira parte, Cor\u00e7\u00e3o muda de ambiente sem mudar de tom. \u00c9 j\u00e1 nas artes pl\u00e1sticas dos grandes pintores que nos ensinar\u00e1 a enxergar por detr\u00e1s das tintas e das molduras, buscando o pensamento, a eleva\u00e7\u00e3o, a raz\u00e3o formal da arte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em tr\u00eas momentos distintos, poesia, romance e pintura, nosso autor nos faz ver al\u00e9m da superficialidade comum dos eruditos, destilando para n\u00f3s um ensinamento de verdadeira cultura, de vida, de sabedoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">10- Dois Amores Duas Cidades, Agir, 1967<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Talvez n\u00e3o exista no Brasil uma an\u00e1lise t\u00e3o profunda e verdadeira da chamada Civiliza\u00e7\u00e3o Moderna. Em dois volumes, mais de 700 p\u00e1ginas, Cor\u00e7\u00e3o mostra que esta nova Civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9, na verdade, um novo posicionamento do homem, que perde seu eixo sobrenatural para centralizar-se em si mesmo, no seu orgulho. Cor\u00e7\u00e3o mant\u00e9m neste livro suas posi\u00e7\u00f5es herdadas de Maritain, mas compreende, ao termin\u00e1-lo que algo n\u00e3o est\u00e1 bem explicado. Escreve assim sua Inconclus\u00e3o, analisando a crise que come\u00e7a a flagelar a Igreja. Com isso, ao terminar este livro de modo t\u00e3o inc\u00f4modo, Gustavo Cor\u00e7\u00e3o recome\u00e7a seu estudo buscando as fontes desta crise, o que o leva a escrever uma longa conclus\u00e3o, que ser\u00e1 seu \u00faltimo livro, O S\u00e9culo do Nada (ver adiante)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Por causa disso, este livro possui um contexto todo especial, e resolvemos deixar ao pr\u00f3prio Cor\u00e7\u00e3o, no artigo Cristianismo e Humanismo, as explica\u00e7\u00f5es que se tornam necess\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">11- O S\u00e9culo do Nada, Record, 1973. 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Traduzido em franc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Uma vez entendido o fundo da quest\u00e3o, todo o s\u00e9culo XX merece ser revisto nas causas dos seus principais acontecimentos. Quem poderia pensar, aqui no Brasil, que uma crise no governo franc\u00eas, o Affaire Dreyfus, tivesse import\u00e2ncia para o s\u00e9culo que come\u00e7ava? Cor\u00e7\u00e3o v\u00ea estas causas e descreve como a pol\u00edtica geralmente ensinada e propalada est\u00e1 cheia de enganos e erros. Assim tamb\u00e9m para a condena\u00e7\u00e3o da Action Fran\u00e7aise, de Charles Maurras, o papel de Franco na salva\u00e7\u00e3o da Espanha e todos os demais acontecimentos do s\u00e9culo XX. Termina com um pungente cap\u00edtulo sobre a Igreja, sobre o Conc\u00edlio Vaticano II, que abre as portas aos progressistas, dando in\u00edcio ao que Cor\u00e7\u00e3o chamou de pecado terminal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">12- A Tempo e Contra-tempo, Perman\u00eancia, 1969&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Colet\u00e2nea de artigos sobre a crise da Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">13- Progresso e Progressismo, Agir, 1970<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Colet\u00e2nea de textos de diversos autores sobre o tema. A parte II \u00e9 de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">14- As Descontinuidades da Cria\u00e7\u00e3o, Perman\u00eancia, 1992<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A Editora Perman\u00eancia publica neste volume as confer\u00eancias que Cor\u00e7\u00e3o fez em seu audit\u00f3rio sobre Filosofia da Natureza e Evolucionismo. Refuta o erro do evolucionismo na vis\u00e3o do f\u00edsico-matem\u00e1tico, na vis\u00e3o do fil\u00f3sofo e na vis\u00e3o do te\u00f3logo. Queria levar adiante seu estudo mostrando que nada, na natureza humana, previa que Deus a elevaria \u00e0 vida divina pela gra\u00e7a. Infelizmente n\u00e3o teve tempo de terminar, o que nos leva a publicar s\u00f3 a primeira parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\">***<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Tendo iniciado esta bibliografia citando a Introdu\u00e7\u00e3o de O S\u00e9culo do Nada, gostaria de termin\u00e1-la com sua Conclus\u00e3o. Se em Dois Amores Duas Cidades, Cor\u00e7\u00e3o achou-se mal acomodado para concluir, neste \u00e9 com a pluma transformada em espada de guerreiro e santo que nos lega suas \u00faltimas palavras publicadas em livro. Continuar\u00e1 escrevendo seus artigos at\u00e9 sua morte, e deixar\u00e1 inacabado um esbo\u00e7o de livro, escrito em franc\u00eas, entitulado Petit Trait\u00e9 sur l&#8217;Amour Propre (Pequeno Tratado sobre o Amor-pr\u00f3prio).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u00abEm nome de um otimismo confiante nos recursos humanos, na ida \u00e0 Lua e nos transplantes de cora\u00e7\u00f5es logo rejeitados, em nome de um novo humanismo que ousa dar o qualificativo de novo ao capricho inconstante dos homens, em nome do nada e da vaidade das vaidades, persegui\u00e7\u00e3o de vento, o caudal de erros se alargou neste estu\u00e1rio de disparates que inunda o mundo e produz na Igreja devasta\u00e7\u00f5es incalcul\u00e1veis. Que nome daremos ao mal deste s\u00e9culo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Este: desesperan\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ei-lo, o mal de nosso tormentoso e turbulento s\u00e9culo que ousou horizontalizar as promessas de Deus transformadas em promessas humanas. Que ousou tentar a seculariza\u00e7\u00e3o do Reino de Deus que n\u00e3o \u00e9 deste mundo. Ei-los os escavadores do nada a construir em baixo-relevo, en creux, a nova torre de Babel. Esperantes \u00e0s avessas, eles querem fazer revolu\u00e7\u00f5es niilistas, querem voltar ao zero, querem destruir, querem contestar, rejeitar, querem niilizar. E se chamam &#8220;progressistas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No s\u00e9culo anterior as agress\u00f5es e trai\u00e7\u00f5es convergiram contra a F\u00e9, como se viu na crise modernista que S\u00e3o Pio X represou. Tremo de pensar que o pr\u00f3ximo s\u00e9culo ser\u00e1 o do desamor. Perguntando ao mar, \u00e0s \u00e1rvores, ao vento, o que querem esses homens que se agitam e meditam coisas v\u00e3s, parece-me ouvir uma resposta de pesadelo. Eles querem produzir uma sinarquia, uma esp\u00e9cie de unanimidade, uma esp\u00e9cie terr\u00edvel de paz e bem-estar. Qual?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Querem chegar ao pecado terminal<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Que fazer? Lutar. Combater. Clamar. Guerrear. Mas lutar sabendo que lutamos n\u00e3o somente contra a carne e o mundo, mas contra o principado das trevas. \u00c9 preciso gritar por cima dos telhados que, se o cristianismo se diluir, se a Igreja tiver ainda menos vis\u00edvel o ouro de sua santa visibilidade, se seu brilho se empanar pela estupidez e pela perversidade de seus levitas, o mundo se tornar\u00e1 por um mil\u00eanio espantosamente, inacreditavelmente, inimaginavelmente est\u00fapido e cruel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Roguemos pois a Deus, com todas as for\u00e7as; desfa\u00e7amo-nos em l\u00e1grimas de rogo e gritemos a s\u00faplica que nos estala o cora\u00e7\u00e3o: enviai-nos, Senhor, ainda neste s\u00e9culo, um refor\u00e7o de grandes santos, de grandes soldados que queiram dar a vida, no sangue ou na mortifica\u00e7\u00e3o de cada dia, pela honra e gl\u00f3ria de Nosso Senhor Jesus Cristo. Compadecei-vos, Senhor, de nossa extrema mis\u00e9ria, e sacudi os homens para que eles saibam quem \u00e9 o Senhor!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u00c9 preciso lutar; e sobretudo n\u00e3o desanimar quando nos disserem que o inimigo cerca a Cidade de Deus com cavalos e carros de combate. Ou\u00e7amos Eliseu: &#8220;N\u00e3o tenhais medo porque os que est\u00e3o conosco s\u00e3o muito mais fortes do que os que est\u00e3o contra n\u00f3s&#8221;. E elevando a voz Eliseu exclamou: &#8220;Senhor, abri-lhes os olhos para que eles vejam. E abrindo-lhes os olhos o Senhor, eles viram, em torno de Eliseu, a montanha coberta com cavalos de guerra e carros de fogo&#8221;. (II Reis, VI,16)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">E para bem encerrar estas p\u00e1ginas t\u00e3o sofridas, ou\u00e7amos depois do Profeta a voz do grande santo Papa que pusemos no frontisp\u00edcio desta obra. Ou\u00e7amos a voz de S\u00e3o Pio X, que desde o princ\u00edpio deste s\u00e9culo de desesperan\u00e7a clamou para despertar as indiferen\u00e7as, quebrar os orgulhos e pelo santo temor preparar o caminho da Salva\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">&#8220;Qual seja o desenlace desse combate contra Deus empreendido por fracos mortais, nenhum esp\u00edrito sensato poder\u00e1 duvidar. \u00c9 certamente f\u00e1cil, para o homem que quer abusar da liberdade, violar os direitos e a autoridade suprema do Criador; mas ao Criador caber\u00e1 sempre a vit\u00f3ria. Digamos mais: a derrota se aproxima do homem justamente quando mais audaciosamente se ergue certo do triunfo. E \u00e9 disto que Deus mesmo nos adverte: &#8220;Ele fecha os olhos para os pecados dos homens&#8221; como que esquecido de seu poder e de sua majestade, mas logo depois desse aparente recuo, despertando como um homem cuja for\u00e7a a embriaguez aumentara, ele esmagar\u00e1 a cabe\u00e7a de seus inimigos, a fim de que todos saibam &#8220;que o Rei da terra inteira \u00e9 Deus&#8221; e que os povos compreendam que n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o homens&#8221;. \u00bb<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">(O S\u00e9culo do Nada, Conclus\u00e3o)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como n\u00e3o existem reedi\u00e7\u00f5es dos livros de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o, apresentamos abaixo uma bibliografia comentada. Caso o leitor encontre nos sebos estes livros, poder\u00e1 saber do que se trata. 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