{"id":229,"date":"2012-05-18T18:00:32","date_gmt":"2012-05-18T21:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/dev.permanencia.org.br\/?p=229"},"modified":"2012-05-18T18:00:32","modified_gmt":"2012-05-18T21:00:32","slug":"a-igreja-catolica-e-a-outra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dev.permanencia.org.br\/?p=229","title":{"rendered":"A Igreja Cat\u00f3lica e a Outra"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Dom Louren\u00e7o Fleichman OSB<\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">A leitura do debate em torno das Cartas do Conc\u00edlio, do Padre Berto, te\u00f3logo de Mons. Marcel Lefebvre no Conc\u00edlio, publicado na revista dos dominicanos franceses <em>Le Sel de la Terre<\/em> n\u00ba 45 mostrou-me, ainda uma vez o quanto a crise atual joga as almas em todas as dire\u00e7\u00f5es no meio desta n\u00e9voa espessa que cobre a Igreja.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Parece evidente que, quarenta anos ap\u00f3s o Conc\u00edlio, \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar mais a fundo a quest\u00e3o da natureza exata da crise modernista, sua ess\u00eancia, a base teol\u00f3gica explicativa de tal situa\u00e7\u00e3o, sem esquecer os apoios nas Sagradas Escrituras e nos Padres da Igreja, tamb\u00e9m importantes. Assim, como conseq\u00fc\u00eancia desta an\u00e1lise, devemos procurar estabelecer de modo mais s\u00f3lido, at\u00e9 que medida um cat\u00f3lico \u00e9 obrigado a seguir a Roma modernista, seus textos, seus ritos, seus acordos. <a href=\"http:\/\/www.permanencia.org.br\/drupal\/node\/3300\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia mais<\/a><\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<!--more--><\/p>\n<p><strong><em>Dom Louren\u00e7o Fleichman OSB<\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">A leitura do debate em torno das Cartas do Conc\u00edlio, do Padre Berto, te\u00f3logo de Mons. Marcel Lefebvre no Conc\u00edlio, publicado na revista dos dominicanos franceses <em>Le Sel de la Terre<\/em> n\u00ba 45 mostrou-me, ainda uma vez o quanto a crise atual joga as almas em todas as dire\u00e7\u00f5es no meio desta n\u00e9voa espessa que cobre a Igreja.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Parece evidente que, quarenta anos ap\u00f3s o Conc\u00edlio, \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar mais a fundo a quest\u00e3o da natureza exata da crise modernista, sua ess\u00eancia, a base teol\u00f3gica explicativa de tal situa\u00e7\u00e3o, sem esquecer os apoios nas Sagradas Escrituras e nos Padres da Igreja, tamb\u00e9m importantes. Assim, como conseq\u00fc\u00eancia desta an\u00e1lise, devemos procurar estabelecer de modo mais s\u00f3lido, at\u00e9 que medida um cat\u00f3lico \u00e9 obrigado a seguir a Roma modernista, seus textos, seus ritos, seus acordos. <a href=\"http:\/\/www.permanencia.org.br\/drupal\/node\/3300\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia mais<\/a><\/span><\/span><\/p>\n<p><!--break--><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Devemos estar sempre dispon\u00edveis para fazer acordos, sempre de boa vontade e acolhedores para os textos do Papa ou dos cardeais, para em seguida critic\u00e1-los ou, ao contr\u00e1rio, devemos nos afastar de verdade das autoridades romanas e levar nossa cr\u00edtica ao conjunto de textos da Roma conciliar, mesmo reconhecendo, aqui ou ali, algumas frases mais tradicionais? A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova. A novidade est\u00e1 nas circunst\u00e2ncias atuais, quarenta anos depois do conc\u00edlio e quinze depois das sagra\u00e7\u00f5es episcopais de 1988.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">\u00c9 um fato que cada vez que nos aproximamos dessa esp\u00e9cie de m\u00e1quina, de mec\u00e2nica que se estabeleceu nas congrega\u00e7\u00f5es romanas, voltamos machucados, deixando presos nas rodas padres amigos, fi\u00e9is engolidos nos meandros da nova religi\u00e3o; um peda\u00e7o de nossas vidas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Em 1988 foram os padres que partiram para a Fraternidade S. Pedro, Dom G\u00e9rard etc. Em 2001, os padres de Campos.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family:verdana\"><span style=\"font-size:larger\">Por outro lado, esta recusa de se examinar com boa vontade os textos ou propostas vindas de Roma n\u00e3o seria um constante perigo de se cair no sede-vacantismo? Eis o impasse onde podemos entrar se nossas considera\u00e7\u00f5es sobre a crise da Igreja seguirem o caminho das opini\u00f5es pessoais mais do que a busca da verdade. Por\u00e9m, a crise atual \u00e9 de tal sorte que temos necessidade de uma sabedoria toda sobrenatural: \u201c<\/span><em><span style=\"font-size:larger\">\u00c9 aqui que \u00e9 preciso um esp\u00edrito dotado de sabedoria\u201d<\/span><\/em><span style=\"font-size:larger\">[fn]<\/span><\/span><span style=\"font-family:verdana; font-size:11px\">Apoc. 17, 9<\/span><span style=\"font-family:verdana\"><span style=\"font-size:larger\">[\/fn]<\/span><em><span style=\"font-size:larger\">&nbsp;<\/span><\/em><\/span><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">nos diz S\u00e3o Jo\u00e3o no seu Apocalipse, nos cap\u00edtulos 17 e 18 que tratam desta \u201cBabil\u00f4nia\u201d, a cidade das sete colinas, fornicando furiosamente com todos os reis da terra, que carrega em si o seu nome: <em>Mist\u00e9rio<\/em>. Esta prostituta montada na besta, que fez o ap\u00f3stolo ficar \u201c<em>em extremo admirado\u201d.<\/em> Apenas os dados da teologia da Igreja n\u00e3o s\u00e3o suficientes.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Devemos constatar que todos os que partiram com os acordos com o Vaticano, bem longe de continuar o mesmo combate de antes, como todos proclamaram em alta voz que fariam, foram contaminados profundamente pelo esp\u00edrito do Vaticano II. E eu pergunto: &#8211; de onde vem esta unanimidade? Porque raz\u00e3o todos passam a aceitar at\u00e9 mesmo a missa nova que sempre foi considerada como o principal mal de Vaticano II?<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Antes mesmo de ser uma quest\u00e3o de doutrina, ela \u00e9 uma quest\u00e3o de ordem espiritual. Os padres n\u00e3o come\u00e7am a aceitar Vaticano II devido a um estudo aprofundado da Nova Missa ou dos textos do Conc\u00edlio, mas sim por uma mudan\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o da alma, olhares que exprimem dois momentos diferentes. Antes, eles tinham uma gra\u00e7a, uma luz espiritual que penso estar presente em cada alma fiel, mesmo nas mais ignorantes, em cada um dos que seguiram o mesmo caminho tra\u00e7ado por Dom Lefebvre e por Dom Ant\u00f4nio de Castro Mayer. Em seguida, quando eles perdem esta gra\u00e7a, seguem \u00e0s apalpadelas no escuro e se agarram na \u00fanica realidade que encontram ao alcance, ou seja, a hierarquia. Esta ser\u00e1 expressa de modo diverso: para uns ser\u00e1 o \u201cper\u00edmetro vis\u00edvel\u201d, como queria Dom Gerard; para outros uma \u201cadministra\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u201d, como foi oferecido aos padres de Campos; ou ainda a Comiss\u00e3o Ecclesia Dei, como foi o caso da Fraternidade S\u00e3o Pedro[fn]<\/span><\/span><span style=\"font-family:verdana; font-size:11px\">Veja detalhes no nosso livro&nbsp;<em>Tradi\u00e7\u00e3o versus Vaticano<\/em>, Ed Perman\u00eancia, 2001[\/fn]<\/span><span style=\"font-family:verdana; font-size:14px\">. Quanto ao resto, os quarenta anos de persegui\u00e7\u00e3o, de esc\u00e2ndalos, de heresias, n\u00e3o levam mais em conta devido \u00e0 cegueira dos seus cora\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Para n\u00f3s, que queremos ficar fi\u00e9is ao combate, mesmo nesta marginaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o desejada, como poderemos conciliar este estado de coisas com a necessidade real de nos submetermos \u00e0 hierarquia da Igreja? Eis a quest\u00e3o delicada que se imp\u00f5e. Por vezes esta quest\u00e3o \u00e9 deixada na sombra para que a alma possa seguir seu caminho no combate pela f\u00e9, que \u00e9 o essencial da vida cat\u00f3lica. Aparentemente tudo segue seu curso. Mas desde que ela come\u00e7a a ser colocada, aparece o temor e a ang\u00fastia diante da possibilidade de se estar fora da Igreja, provocando o impasse, estas diferentes formas de se encarar a crise, um certo estado de alma que se manifesta por diferentes m\u00e9todos de combate. \u00c9 necess\u00e1rio achar uma explica\u00e7\u00e3o que seja ao mesmo tempo verdadeira teologicamente e pacificadora dessas ang\u00fastias da alma cat\u00f3lica, antes que ela perca a gra\u00e7a e se deixe levar pelas \u00e1guas agitadas da Roma modernista.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Ora, esta explica\u00e7\u00e3o existe. Ela foi formulada pela primeira vez, que eu saiba, por Gustavo Cor\u00e7\u00e3o, em 1976 e mesmo antes, em 1974. Cor\u00e7\u00e3o mostrava que no cisma do Ocidente, no s\u00e9c. XIV, os cat\u00f3licos se encontravam diante de uma \u00fanica Igreja mas tendo dois papas, sem saber qual o verdadeiro. Hoje, ao contr\u00e1rio, estamos diante de um s\u00f3 papa, uma s\u00f3 hierarquia, mas que governa duas igrejas: a verdadeira Igreja Cat\u00f3lica e <em>A Outra<\/em>. Vejamos como Cor\u00e7\u00e3o entendeu a coisa:<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"rteindent1\"><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">&nbsp;<em>\u201cminha sofrida e firme convic\u00e7\u00e3o, tantas vezes sustentada aqui, ali e acol\u00e1 \u00e9 que existe, entre a Religi\u00e3o Cat\u00f3lica professada em todo o mundo cat\u00f3lico at\u00e9 poucos anos atr\u00e1s e a religi\u00e3o ostensivamente&nbsp; apresentada como &#8220;nova&#8221;, &#8220;progressista&#8221;, &#8220;evolu\u00edda&#8221;, uma diferen\u00e7a de <strong>esp\u00e9cie<\/strong> ou diferen\u00e7a por <strong>alteridade<\/strong>. S\u00e3o portanto duas as Igrejas atualmente governadas e servidas pela mesma hierarquia: a Igreja Cat\u00f3lica de sempre, e a Outra.&#8221;[fn]<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family:verdana; font-size:11px\">O Globo, 29\/12\/1977[\/fn]<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">A id\u00e9ia j\u00e1 lhe viera em 1974. Num artigo chamado <em>Estranhos Contrastes<\/em>, sobre o comunismo no Chile e no mundo, Cor\u00e7\u00e3o fala, talvez pela primeira vez, das duas Igrejas:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">\u201c<em>O que me parece dif\u00edcil \u00e9 fugir \u00e0 evid\u00eancia de um cisma, n\u00e3o do governo da Igreja, mas na sua pr\u00f3pria personalidade: o que h\u00e1 no mundo moderno s\u00e3o duas Igrejas com parte da hierarquia comum ou alternante. E mais do que nunca tornou-se importante para todos bem demarcar a Igreja a que pertence&#8230; Tentarei trabalhar nesta id\u00e9ia que me parece verdadeira e saud\u00e1vel.&#8221;[fn]<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family:verdana; font-size:11px\">O Globo, 30\/03\/1974<\/span><span style=\"font-family:verdana; font-size:14px\"><em>[\/fn]<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Sublinhei acima a \u201cdiferen\u00e7a por alteridade\u201d para mostrar que o autor explica esta quest\u00e3o pela cita\u00e7\u00e3o da ep. aos G\u00e1latas, 1,6 \u2013 Se um anjo do c\u00e9u vem vos ensinar <strong><em>um outro evangelho<\/em><\/strong>, que seja an\u00e1tema \u2013 De onde se conclui que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que se ensinem heresias, doutrinas opostas, basta que se ensine <em> outra coisa<\/em>. Que os modernistas n\u00e3o venham nos dizer que os textos do Conc\u00edlio n\u00e3o s\u00e3o her\u00e9ticos. N\u00e3o precisam ser para que sejam recha\u00e7ados pela Igreja de sempre e por todos os fi\u00e9is cat\u00f3licos. Eles s\u00e3o <em>outra coisa<\/em>. Basta. Mons. Tissier de Mallerais, um dos bispos sagrados por Mons. Lefebvre, dizia tamb\u00e9m isso:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\"><em>Para ser heterodoxo, hoje em dia, n\u00e3o \u00e9 mais preciso negar verdades de f\u00e9, como outrora, basta mudar o sentido das palavras&#8230; Assim, n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1rio para ser her\u00e9tico, contradizer as verdades ensinadas pelo magist\u00e9rio tradicional, basta deslocar o enfoque, retirando-o do essencial para coloc\u00e1-lo no secund\u00e1rio ou no acess\u00f3rio.[fn]<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family:verdana; font-size:11px\">Revista&nbsp;<em>Le Sel de la Terre<\/em>, n\u00ba 42, 2002 \u2013 Apresenta\u00e7\u00e3o ao Serm\u00e3o das ordena\u00e7\u00f5es[\/fn]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">A quest\u00e3o principal \u00e9 a identidade da Igreja Cat\u00f3lica. Qualquer estudo da teologia desta crise dever\u00e1 levar isso em conta.<\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\"><em><span style=\"color:black\">S\u00e3o Paulo s\u00f3 p\u00f4de dar este preceito aos G\u00e1latas por saber <\/span> <span style=\"color:black\"> que, mesmo sem serem fil\u00f3sofos com <\/span> <span style=\"color:black\"> ci\u00eancia adquirida, todos t\u00eam no n\u00edvel do <\/span> <span style=\"color:black\"> senso comum a capacidade de distinguir <\/span> <span style=\"color:black\"> o&nbsp;&nbsp; <strong>mesmo&nbsp;&nbsp; <\/strong>e&nbsp;&nbsp; o&nbsp; <strong>outro<\/strong><\/span><\/em><span style=\"color:black\">[fn]<\/span><\/span><\/span><span style=\"color:rgb(0, 0, 0); font-family:verdana; font-size:11px\">O Globo, artigo&nbsp;<em>Trabalhemos com Jesus<\/em>, 7 de junho 1975[\/fn]<\/span><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\"><em><span style=\"color:black\">.<\/span><\/em><\/span><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Em outro lugar Cor\u00e7\u00e3o escreveu: \u201c<em>Nenhuma reforma pode prevalecer sobre a identidade e sobre a continuidade dessa identidade.&#8221;<\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Mons. Lefebvre, na famosa confer\u00eancia de retiro espiritual dada em Ec\u00f4ne, em 1989, mostrou muito bem que a visibilidade da Igreja n\u00e3o pode se encontrar na \u201cigreja oficial\u201d porque esta n\u00e3o possui mais a unidade da f\u00e9 necess\u00e1ria para estabelecer as quatro notas essenciais da verdadeira Igreja Cat\u00f3lica.[fn]<\/span><\/span><a href=\"http:\/\/www.permanencia.org.br\/drupal\/node\/1400\" style=\"font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; color: rgb(51, 102, 153); text-decoration: none; \">http:\/\/www.permanencia.org.br\/drupal\/node\/1400<\/a>[\/fn]<\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">A coisa n\u00e3o p\u00e1ra por a\u00ed. Precisamos tentar identificar esta falsa igreja que se faz passar pela Igreja militante com tal aud\u00e1cia que conseguiu ter em seu comando os pr\u00f3prios chefes da verdadeira Igreja cat\u00f3lica. \u00c9 ainda Gustavo Cor\u00e7\u00e3o que nos mostra o caminho do nosso estudo:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family:verdana\"><em><span style=\"font-size:larger\">Estamos evidentemente diante de alguma Coisa alterada, ou adulterada, que em v\u00e1rios sinais difere profundamente da Igreja Unam et Sanctam. N\u00e3o podendo crer que a pr\u00f3pria Igreja se alterou e se adulterou, como pretendem os que come\u00e7am por duvidar de sua perseverante identidade, s\u00f3 nos resta pensar que outra subst\u00e2ncia est\u00e1 nos meios cat\u00f3licos sem ser cat\u00f3lica. E faz quest\u00e3o de se inculcar como cat\u00f3lica, pelos sinais exteriores e pelos t\u00edtulos, n\u00e3o fazendo por\u00e9m nenhuma quest\u00e3o de ser cat\u00f3lica pelas id\u00e9ias que difunde: \u201cdecifra-me ou devoro-te\u201d<\/span>[fn]<\/em><\/span><span style=\"font-family:verdana; font-size:11px\">O Globo, artigo&nbsp;<em>Decifra-me ou devoro-te<\/em>, 21 de fevereiro 1976[\/fn].<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Cor\u00e7\u00e3o compreendeu que a crise da Igreja ia bem al\u00e9m de uma quest\u00e3o de reformas mais ou menos revolucion\u00e1rias. Quando Jean Madiran, na revista <em>Itin\u00e9raires<\/em>, pedia ao papa que nos devolvesse &#8230; \u201ca missa, o catecismo e as Sagradas Escrituras\u201d, Cor\u00e7\u00e3o completava:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\"><em>Eu diria que, em vez de escolher os tr\u00eas pontos: a missa, o catecismo e as Escrituras, prefiro um s\u00f3 grito, uma \u00fanica s\u00faplica dirigida ao papa para pedir a expuls\u00e3o do esp\u00edrito que anima todas essas reformas, que anima todas estas aberra\u00e7\u00f5es, estas demoli\u00e7\u00f5es dentro da Igreja. Eu gritaria: \u201cDevolva-nos o Catolicismo!\u201d Sim, \u00e9 a Igreja Cat\u00f3lica, enquanto Cat\u00f3lica que passa por um processo de auto-demoli\u00e7\u00e3o. \u00c9 a catolicidade maternal e virginal da \u00fanica Igreja de Cristo que \u00e9 atacada, sitiada, invadida, em favor de um cristianismo vago, achatado, ressecado e exangue[fn]<\/em><\/span><\/span><span style=\"font-family:verdana; font-size:11px\"><em>Itin\u00e9raires<\/em>, 181, mar\u00e7o 1974 \u2013 artigo&nbsp;&nbsp;<em>Mon d\u00e9sir est-il de plaire aux hommes?<\/em>&nbsp;\u2013 Seria meu desejo agradar aos homens?[\/fn]<\/span><span style=\"font-family:verdana; font-size:14px\"><em>.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Esta palavra de Paulo VI \u2013 auto-demoli\u00e7\u00e3o da Igreja \u2013 \u00e9 utilizada freq\u00fcentemente por todos os defensores da Tradi\u00e7\u00e3o, inclusive Mons. Lefebvre, como um argumento <em>ad hominem<\/em>. Ela n\u00e3o pode exprimir a realidade teol\u00f3gica da vida da Igreja e deve ser recha\u00e7ada. N\u00e3o somente a Igreja n\u00e3o pode se auto-demolir como n\u00e3o h\u00e1 nenhuma necessidade para n\u00f3s de recorrer a este argumento. O papa Paulo VI que nada mais fez do que acelerar o trem do modernismo, se n\u00e3o gerou a <em>Outra<\/em>, \u00e9 respons\u00e1vel por t\u00ea-la levado \u00e0 maturidade. N\u00e3o, a natureza desta crise s\u00f3 pode estar em outra coisa, acha-se na tentativa de demoli\u00e7\u00e3o da verdadeira Igreja cat\u00f3lica pelo c\u00e2ncer espiritual que a agarrou pela garganta, a sufoca e crucifica-a. \u00c9 a <em> Outra<\/em> que procura destruir a Igreja, o que difere muito de uma <em> auto-demoli\u00e7\u00e3o.<\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Penso poder dizer que esta argumenta\u00e7\u00e3o baseada em duas igrejas mortalmente opostas \u00e9 a \u00fanica a proteger todos os dados da teologia da Igreja diante da avalanche que tudo carregou. Tive, por duas vezes, a oportunidade de usar esta argumenta\u00e7\u00e3o, em situa\u00e7\u00f5es parecidas: no Barroux, em 1988, diante do Dom Basile, quando este foi indicado por Dom G\u00e9rard para responder \u00e0s minhas quest\u00f5es sobre os acordos com Roma. Era a \u00e9poca do sofisma do \u201cper\u00edmetro vis\u00edvel&#8221;[fn]<\/span><\/span><span style=\"font-family:verdana; font-size:11px\">Dom G\u00e9rard Calvet dizia que n\u00f3s n\u00e3o est\u00e1vamos fora da Igreja mas sim fora do per\u00edmetro vis\u00edvel da Igreja, confundindo visibilidade da Igreja com oficialidade legal do Vaticano.<\/span><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">[\/fn]<\/span><\/span><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">. Dom Basile achou que a exist\u00eancia real da <em>Outra<\/em> conduziria ao sede-vacantismo, isso porque ele n\u00e3o quis raciocinar na possibilidade de haver um s\u00f3 papa para duas igrejas, pois n\u00e3o encontrava nada sobre isso nos manuais de teologia ou nos exemplos da hist\u00f3ria da Igreja (l\u00f3gico). A segunda vez foi em 2001, diante de um dos padres de Campos que afirmou que esta doutrina significaria que as portas do inferno teriam prevalecido sobre a Igreja, como se a presen\u00e7a da <em>Outra<\/em> destru\u00edsse a verdadeira Igreja. Ora, nem um nem outro quiseram examinar a quest\u00e3o at\u00e9 o fim.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">N\u00e3o me parece poss\u00edvel que algu\u00e9m negue o car\u00e1ter excepcional, surpreendente e inesperado da crise atual. Uma crise que dura j\u00e1 quarenta anos, tendo \u00e0 sua frente j\u00e1 tr\u00eas papas com praticamente todo o episcopado. Como n\u00e3o considerar o grande mist\u00e9rio de vermos o corpo da Igreja trabalhando ativamente para a destrui\u00e7\u00e3o da Esposa de Cristo? Pode-se afirmar sem temeridade que esta crise nada tem a ver com o <em>mist\u00e9rio de iniq\u00fcidade<\/em> anunciado por S. Paulo aos Tessalonicenses, quando percebemos claramente que a grande apostasia que o acompanha j\u00e1 est\u00e1 generalizada? N\u00e3o estaria a\u00ed, justamente, a causa do enorme espanto que sentiu S\u00e3o Jo\u00e3o quando viu a prostituta do Apocalipse que carregava em si seu nome: <em>Mist\u00e9rio<\/em>?<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">A natureza da crise come\u00e7a a ser melhor estabelecida pela denomina\u00e7\u00e3o de uma <em>Outra<\/em> subst\u00e2ncia, de uma <em>Outra<\/em> sociedade de bispos tendo o pr\u00f3prio papa como chefe, de uma <em> Outra <\/em>religi\u00e3o que nos faz pensar nesta <em>abomina\u00e7\u00e3o da desola\u00e7\u00e3o posta no lugar santo<\/em>, vista pelo profeta Daniel e lembrada por Nosso Senhor em circunst\u00e2ncias que nos fazem tremer. J\u00e1 podemos considerar com certo recuo nossas rela\u00e7\u00f5es com Roma, antes mesmo de aprofundarmos nossas considera\u00e7\u00f5es sobre <em>A Outra<\/em>.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Antes de tudo, desaparece a quest\u00e3o mais delicada:<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"rteindent1\"><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">&#8211; Voc\u00eas s\u00e3o sede-vacantistas? \u2013 N\u00e3o, \u00e9 justamente o que n\u00e3o somos.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"rteindent1\"><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">&#8211; Ent\u00e3o, para voc\u00eas, o papa \u00e9 verdadeiramente o Vig\u00e1rio de Cristo? \u2013 Sim, ele \u00e9, ele tem todos os sinais. Ele ocupa a sede de Roma, \u00e9 reconhecido por todo o mundo como papa, e exerce atos de governo pr\u00f3prios ao Pont\u00edfice Romano. Esta quest\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o se coloca por diversas raz\u00f5es: n\u00e3o h\u00e1 resposta poss\u00edvel porque s\u00f3 um papa futuro poder\u00e1 julgar o papa atual[fn]<\/span><\/span><span style=\"font-family:verdana; font-size:8pt\">Mons. Tissier de Mallerais mostrou bem isso no seu serm\u00e3o de 2002. cf.&nbsp;<\/span><a href=\"http:\/\/www.permanencia.org.br\/drupal\/node\/663\" style=\"font-weight: inherit; font-style: inherit; font-size: 12px; font-family: inherit; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; color: rgb(51, 102, 153); text-decoration: none; \">http:\/\/www.permanencia.org.br\/drupal\/node\/663<\/a>[\/fn].&nbsp;<span style=\"font-family:verdana; font-size:14px\">Enquanto a Igreja n\u00e3o declarar este ju\u00edzo solene nossa considera\u00e7\u00e3o deve se limitar aos sinais vis\u00edveis do pontificado, e nesse caso devemos afirmar que Jo\u00e3o Paulo II \u00e9 o Vig\u00e1rio de Cristo.<\/span><\/p>\n<p class=\"rteindent1\"><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">&#8211; Como pode o papa ensinar tantos erros grav\u00edssimos, fazer gestos t\u00e3o escandalosos, sem perder o carisma papal? \u2013 porque ele \u00e9, ao mesmo tempo, o chefe de uma falsa religi\u00e3o fundada em Vaticano II, quando os bispos do mundo todo estabeleceram <em>A Outra<\/em>. Da\u00ed a necessidade de refletir sem medos sobre os fundamentos dessa Anti-Igreja para estabelecer que, efetivamente, ela se constitui como uma falsa religi\u00e3o, com um clero, ritos pr\u00f3prios, um corpo de doutrina e leis espec\u00edficas.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"rteindent1\"><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">&#8211; Como explicar que a exist\u00eancia dessa <em>Outra<\/em> n\u00e3o seja a derrota total da verdadeira Igreja Cat\u00f3lica? \u2013 Aqui o mist\u00e9rio aumenta, sem d\u00favida. A Santa Igreja Cat\u00f3lica est\u00e1 sempre viva, mas sitiada e invadida, como nos dizia Cor\u00e7\u00e3o acima. Eu n\u00e3o usaria a imagem de uma invas\u00e3o militar, com um governo ileg\u00edtimo esmagando o rei, ou a imagem da Aids espiritual usada por Mons. Lefebvre, mas a invas\u00e3o de um c\u00e2ncer espiritual, como uma pele, uma fina pel\u00edcula transparente e, sobretudo, viva, que engole a Igreja cat\u00f3lica tornando-a prisioneira, sem movimentos pr\u00f3prios, sem palavra, sem rito nem lei. Como todo c\u00e2ncer, ela nasce de dentro e se desenvolve sem controle do organismo, levando-o por um caminho de morte. A transpar\u00eancia desse c\u00e2ncer vem do fato que o governo da <em>Outra<\/em> \u00e9 feito pelos mesmos homens, a mesma hierarquia que deveria governar a Igreja cat\u00f3lica. Assim, quando um Mons. Lefebvre, por exemplo, ousava se levantar contra o papa, este, ou os bispos lhe apontavam o dedo: <em>aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 o papa, s\u00e3o os bispos, obede\u00e7a! <\/em>&nbsp;\u00c9 claro que nosso bispo, sendo perfeitamente cat\u00f3lico, queria obedecer e demonstrar seu apego \u00e0 Santa S\u00e9, como tantas vezes ele exprimiu, mas desde que ele se aproximava, a voz que ouvia n\u00e3o era a da M\u00e3e, mas uma voz estranha, desconhecida e mesmo monstruosa. Foi diferente em 1988? E em 2001, com Mons. Fellay? As exig\u00eancias impostas a Mons. Lefebvre de pedir desculpas, em 6 de maio de 1988, ou a recusa de liberar a missa tradicional a todos os padres porque seria um ultraje a Vaticano II, em 2001, s\u00e3o sinais impressionantes de que as autoridades falavam antes como representantes da <em>Outra<\/em> e n\u00e3o como chefes cat\u00f3licos. <\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"rteindent1\"><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Ser\u00e1 que um papa, enquanto papa, representando a verdadeira Igreja, podia recusar-se a um gesto como este em favor de uma missa santa, perfeitamente leg\u00edtima e ortodoxa?<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">&#8211; Algu\u00e9m poderia ainda objetar que a missa de uma tal igreja diab\u00f3lica n\u00e3o poderia ser v\u00e1lida, enquanto que o pr\u00f3prio Mons. Lefebvre e tantos outros sempre afirmaram que a nova missa \u00e9 v\u00e1lida. \u2013 Ainda aqui, a \u00fanica resposta que mant\u00e9m intactos todos os dados da teologia vem dessa usurpa\u00e7\u00e3o. O c\u00e2ncer que cobre a Igreja n\u00e3o \u00e9 apenas uma met\u00e1fora. \u00c9 uma realidade anal\u00f3gica, um verdadeiro c\u00e2ncer espiritual. Como tal, ele lan\u00e7a seus tent\u00e1culos m\u00f3rbidos no interior do Corpo M\u00edstico de Cristo para sugar sua vida e a efic\u00e1cia de seus ritos. Ele domina de tal modo a Esposa de Cristo, ele a mant\u00e9m em tal controle que esta v\u00ea as conseq\u00fc\u00eancias terr\u00edveis dessa usurpa\u00e7\u00e3o de sua vida sem poder nada fazer, impotente para vir em aux\u00edlio de seus filhos cegos e conduzidos \u00e0 morte da heresia, do sacril\u00e9gio, do pecado.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Todos os sacramentos e sacramentais, tudo o que depender\u00e1 de um rito, ser\u00e1 assim sugado do cora\u00e7\u00e3o mesmo da Igreja. E os fi\u00e9is ser\u00e3o enganados quando, assistindo a um rito novo, pensar\u00e3o ver nele algo de ainda cat\u00f3lico.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Que esperteza do dem\u00f4nio! Quanta aud\u00e1cia! E que diab\u00f3lica satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ele sentir quando nos v\u00ea batendo cabe\u00e7a uns contra os outros, sem saber muito bem como nos posicionar diante dessa nova vers\u00e3o do William Wilson do conto de Edgar Allan Poe.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Se Mons. Lefebvre compreendeu que era necess\u00e1rio resistir at\u00e9 o fim, at\u00e9 ser \u201cexcomungado\u201d \u2013 e ele disse bem que era excomungado pela Roma modernista, logo pela <em>Outra<\/em> \u2013 foi em raz\u00e3o da ess\u00eancia n\u00e3o-cat\u00f3lica de todo esse mundo de Vaticano II. A famosa Carta que ele escreveu aos quatro bispos sagrados em 30 de junho de 1988 n\u00e3o deixa d\u00favidas: estes novos bispos dever\u00e3o depositar aos p\u00e9s do Santo Padre seu episcopado quando Roma ser\u00e1 convertida \u00e0 Tradi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o antes, porque eles teriam que tratar com uma outra coisa, uma outra igreja, tendo as mesmas autoridades humanas. Se n\u00f3s recusamos admitir que trata-se de <em>Outra<\/em> coisa, cairemos facilmente na armadilha onde ca\u00edram os padres de Campos: eles pretenderam que n\u00e3o era poss\u00edvel Deus permitir que toda a hierarquia se enganasse de caminho durante um tempo t\u00e3o longo. Com a presen\u00e7a do c\u00e2ncer espiritual a quest\u00e3o do tempo n\u00e3o se coloca mais. Pode durar enquanto Deus quiser, como uma purifica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, ou como a Paix\u00e3o da Igreja, seguindo a Paix\u00e3o do seu Mestre.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Eis, ent\u00e3o, a paz que come\u00e7a a se fazer presente na alma cat\u00f3lica libertada de seus escr\u00fapulos, compreens\u00edveis mas t\u00e3o perigosos. N\u00e3o ser\u00e1 mais preciso ficar como que mal acomodado na cadeira, sem poder aceitar os erros e sem querer lan\u00e7ar para longe a hierarquia constitu\u00edda. Firmemos nossos p\u00e9s nesta terra da salva\u00e7\u00e3o que \u00e9 a verdadeira Igreja de sempre. Se ela est\u00e1 prisioneira da <em>Outra<\/em>, sejamos n\u00f3s tamb\u00e9m prisioneiros, excomungados, marginalizados, crucificados, como ela, nossa M\u00e3e, est\u00e1 crucificada e se aproxima desta morte m\u00edstica pr\u00f3pria ao Corpo M\u00edstico de Cristo, o que, bem longe de ser uma derrota \u00e9 o in\u00edcio da vit\u00f3ria.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">As duas tenta\u00e7\u00f5es presentes em nossos meios j\u00e1 existiam no tempo de Nosso Senhor. Os sede-vacantistas se parecem com os ap\u00f3stolos escandalizados com a Cruz, que fugiram, um ap\u00f3s outro, at\u00e9 que s\u00f3 ficou um, S\u00e3o Jo\u00e3o, o \u00fanico que tinha atingido, antes mesmo de Pentecostes, um grau particular da Sabedoria. J\u00e1 os que se inclinam para os acordos com Roma se parecem com os disc\u00edpulos que abandonaram Jesus em troca da \u201clegalidade\u201d farisaica, porque as ap\u00f3strofes do Mestre contra as autoridades eram para eles insuport\u00e1veis. \u2013<em>\u201cE v\u00f3s, quereis tamb\u00e9m partir?&#8230;.Para onde ir\u00edamos, Senhor, s\u00f3 V\u00f3s tendes palavras de vida eterna\u201d.<\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">Esta paz da alma s\u00f3 pode existir com a gra\u00e7a. Esta gra\u00e7a nada mais \u00e9 do que um ato de f\u00e9 sobrenatural continuamente em a\u00e7\u00e3o na alma. \u00c9 um pecado contra a f\u00e9 que fez cair todos os que partiram, por medo, por escr\u00fapulos ou por excesso de rigorismo. Atra\u00eddos irresistivelmente por uma armadilha armada pela <em>Outra<\/em>, ca\u00edram os que fizeram acordos com Roma, nesta falta contra a F\u00e9 que responde a nossa quest\u00e3o do in\u00edcio: porque todos, unanimemente, acabam aceitando todo o Vaticano II? Faltando a f\u00e9, eles n\u00e3o conseguem mais enxergar nada al\u00e9m do c\u00e2ncer que esgana a verdadeira Igreja.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">No outro p\u00f3lo, os sede-vacantistas n\u00e3o s\u00e3o atra\u00eddos, mas antes empurrados por uma estranha for\u00e7a que os afasta da Igreja por n\u00e3o suportarem a id\u00e9ia de que ela possa estar crucificada sobre o G\u00f3lgota da religi\u00e3o pluralista de um mundo ma\u00e7onicamente globalizado.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:larger\"><span style=\"font-family:verdana\">O ato de f\u00e9 de que se trata aqui n\u00e3o \u00e9 uma coisa f\u00e1cil e evidente. A gra\u00e7a deve ser renovada todos os dias numa constante ora\u00e7\u00e3o, numa profunda humildade, numa confian\u00e7a total. N\u00e3o na confian\u00e7a nesses homens da hierarquia visto serem verdadeiros traidores que preferem governar <em>A Outra<\/em> em vez de governar a Cat\u00f3lica. Confian\u00e7a em Deus, uma f\u00e9 sem reservas no governo que a Cabe\u00e7a, o Chefe, Jesus Cristo, exerce sobre sua Esposa mesmo no momento mais doloroso da crucifix\u00e3o e da morte. Do G\u00f3lgota m\u00edstico onde certamente ela se encontra, desta crucifix\u00e3o que a torna mais unida e mais semelhante a seu Esposo divino, ou do t\u00famulo onde ela h\u00e1 de passar seus tr\u00eas dias, ela ressurgir\u00e1 na gl\u00f3ria, como Nosso Senhor, para nos deixar a marca do seu Corpo vis\u00edvel, mais belo que nunca, mais santo, desta Esposa sem manchas nem rugas que ser\u00e1 para n\u00f3s a vida do Reino do C\u00e9u. <em> Ressurrexit sicut dixit, Allel\u00faia!<\/em><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Louren\u00e7o Fleichman OSB A leitura do debate em torno das Cartas do Conc\u00edlio, do Padre Berto, te\u00f3logo de Mons. 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